A Ponte Luís I, no Porto, é um símbolo de uma história de força e de trabalho. Outrora, o seu desenho monumental ligava duas margens em plena efervescência industrial, resistindo, hoje, às transformações da cidade, da degradação à renovação.
A figura contemporânea da mulher surge como um reflexo desta cidade em constante mudança, personificando a nova vida que o turismo trouxe e que contribuiu para a restauração de áreas degradadas da baixa. Mas a sua presença também levanta uma questão: se o turismo que salvou o Porto da ruína pode, agora, ameaçar a sua identidade, diluindo-se no consumo de uma experiência pré-fabricada.
A ilustração, ao justapor o histórico e o moderno, confronta-nos com este paradoxo. Sugere que a beleza da cidade reside não apenas na sua capacidade de se renovar, mas na sua autenticidade.