A mulher com a máquina fotográfica analógica representa a essência de um tempo em que o ato de fotografar era uma entrega total.
A câmara é um objeto com uma única finalidade: capturar a imagem. Não há distrações, não há outras funções. É um convite à paciência, à reflexão, a um processo onde não se conhece o resultado imediato.O telemóvel, por sua vez, democratizou a fotografia. Tornou-a instantânea, ilimitada e, muitas vezes, casual. A imagem deixou de ser um fim em si mesma para se tornar parte de um fluxo contínuo, rapidamente partilhada nas redes sociais. Com a conveniência de ter uma câmara sempre à mão, ganhámos a liberdade de registar tudo, mas talvez tenhamos perdido a profundidade do momento.
No final, a escolha entre a máquina analógica e o telemóvel não é uma questão de superioridade, mas sim de intenção. Uma celebração do processo e da espera, enquanto o outro privilegia a espontaneidade e a partilha.
Ambas as abordagens coexistem e moldam a nossa relação com a imagem, cada uma com o seu lugar no nosso mundo visual.